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Comprei um carro elétrico, e agora?

Optar por um veículo sustentável requer planejamento para garantir autonomia de rodagem enquanto a infraestrutura de carregamento ainda é incipiente


 

Empresário Mauro Bellini aderiu à nova tecnologia Foto: Mauro Martins

Empresário conhecido do ramo industrial caxiense, sendo um dos executivos da Marcopolo, Mauro Bellininunca temeu tecnologia. Sempre se encantou por ela, ainda mais quando representa ganhos de sustentabilidade ao planeta.

Portanto, foi sem receio que, há pouco mais de um mês, assumiu o volante de um veículo 100% elétrico, sabendo que a ainda tímida infraestrutura de carregamento significaria desafios extras na sua já atribulada rotina.

“Essa, no entanto, não é uma decisão recente. Quando participei de uma missão técnica ao Vale do Silício (EUA), em 2018, já decidi: meu próximo carro será 100% elétrico. Lá, eu via as pessoas carregando os veículos em shoppings, em todo o lugar”,

rememora o empresário, hoje presidente do Conselho de Administração da Marcopolo.


Bellini não se arrependeu. Mesmo com a infraestrutura ainda escassa no Estado, o que deve evoluir muito em pouco tempo, encontrou soluções de carregamento junto à nova Rota do Carro Elétrico, encabeçada pela Magnani Luz e Energia, ao lado de parceiros como o Sicredi. Quando viaja ao Litoral Norte, o executivo utiliza as novas estações de recarga do Café Tainhas, em São Francisco de Paula, ou do Cantinho do Pescador, em Torres.


Rota do Carro Elétrico, Café Tainhas (São Francisco de Paula), Cantinho do Pescador (Torres) e Café Fagundes (Nova Petrópolis).


Ao circular pela Região das Hortênsias, é comum fazer uma pausa na Casa Fagundes, em Vila Cristina, distrito de Caxias do Sul. Carrega a bateria do carro enquanto aprecia um café com pastel ou almoça. Em Caxias do Sul, conhece os pontos disponíveis (a Magnani possui estação de recarga na sede de sua empresa, na Perimetral Norte, assim como na filial em Torres).


Na Marcopolo, em Ana Rech, Mauro Bellini adaptou no estacionamento um carregador para que o carro se mantenha sempre em níveis aceitáveis de bateria e, sobretudo, de autonomia de rodagem. Em seu prédio, utiliza a estrutura disponível para carregamento à noite ou quando está em casa. Com isso, ao longo do dia ou em viagens, são feitas pausas de recarga, a ponto de não deixar a carga baixar. São necessárias, sim, mudanças de hábito e de cultura.

Mauro Bellini carrega seu veículo no estacionamento da Marcopolo (foto: Mauro Martins)

Ou seja, escolher um veículo elétrico é mudar a mentalidade. Assim como no caso dos telefones celulares, não se espera terminar a carga para recarregar. Sempre que houver oportunidade, turbina-se a bateria, garantindo autonomia em caso de trajetos mais longos. Precisa-se carregar na bagagem planejamento e estratégia, com a noção de estar contribuindo para um mundo mais limpo e consciente, longe dos poluentes combustíveis fósseis. Caso zerar a bateria, pode ser necessário, dependendo do carro e da potência do carregador, um período de até 15 horas para seu completo carregamento. Mas isso nunca ocorre, pois sempre que houver uma oportunidade, o carro está conectado na energia elétrica.

“É preciso levar o planejamento para a viagem. Nesse primeiro momento, não é como dirigir um carro a gasolina que, a cada esquina, tem um posto. Mas esse é um mercado que vai acelerar rapidamente”, salienta Bellini

Sim, os números confirmam: em 2021, foram vendidos no Brasil 34.990 veículos eletrificados, contra apenas 117 há 10 anos, em 2012, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico. Questionado sobre qual a performance de seu carro 100% elétrico, da marca Volvo, e qual a sensação ao dirigir, Mauro Bellini mostra-se muito satisfeito.

Entre os pontos destacados figura a resposta rápida de velocidade no caso de ultrapassagens. A leveza do veículo e a mínima necessidade de manutenção, já que o número de peças (e sua complexidade) é infinitamente menor em comparação aos modelos tradicionais, são atributos elogiados.

“A sensação é muito melhor, de segurança, de um silêncio de motor. Tem inclusive de ficar de olho no pedestre, pois ele pode não identificar o carro em movimento”, declara.

O empresário afirma que o consumo elétrico é menor na cidade em relação à estrada e, quando precisa circular pelo Estado a trabalho ou a lazer, já estuda antecipadamente os pontos de carregamento em que vai parar. Amante de golfe, na rota já foram incluídas cidades que sediam torneios do esporte, como Pelotas, em roteiros de até 400 quilômetros. Nessa fase inicial, os pontos de recarga não cobram pelo uso dos equipamentos, pois a lei ainda não regulamenta essa questão, funcionando como chamarizes e fidelização aos consumidores.


Carregadores elétricos em condomínios


No futuro, será comum apartamentos ou prédios já surgirem com essa infraestrutura de recarga do carro elétrico acoplada. Hoje, é possível instalar carregadores elétricos em residências ou empresas, mas requer profissionais especializados para a adaptação do projeto.

"Comprar um carregador é fácil, mas não é só isso. É preciso escolher um equipamento certificado para essa finalidade, o caso da WEG, pois você estará conectando essa tecnologia num carro que tem um valor elevado e, ao mesmo tempo, as baterias têm vida útil, uma média de 10 anos. Então, você tem de manter essa bateria com a melhor performance possível durante esse período. É importante utilizar carregadores de ótima qualidade",

destaca Paulo Magnani, diretor geral da Magnani Luz e Energia, empresa que oferece tanto a tecnologia quanto o serviço de instalação.

Carregador veicular no prédio em que reside Mauro Bellini

A outra situação é a questão da instalação elétrica, algo complexo, que exige um olhar atento por parte de quem entende:

"Como o carregador tem um consumo de 7,4 quilowatts ou 22 quilowatts, isso requer uma análise da instalação para averiguar se a conexão na concessionária consegue suportar a demanda. É necessário fazer uma análise, um projeto, para que o carregador não cause problema na instalação ja existente. No caso de condomínio, estamos falando em muitos carregadores, e o excesso de carga pode causar sérios transtornos. É preciso controlar a demanda elétrica para não causar problemas, quando há muitos equipamentos ligados, e também organizar a cobrança, já que a energia elétrica será utilizada da área comum. Tem de haver um controle de cobrança, pois não é justo um condômino ligar na instalação do condomínio e o outro não ter carro elétrico, mas sim a gasolina, abrindo brecha para conflitos", explica Magnani.

Tanto que a Rota do Veículo Elétrico do Rio Grande do Sul, que já inaugurou as três primeiras estações de recarga, planeja a inclusão de outros 10 pontos de carregamento elétrico nos próximos meses, sob a coordenação da Magnani Luz e Energia, com a reconhecida tecnologia da WEG. Um estudo aponta que os gastos com combustível e outras despesas de manutenção seriam compensadas com 100 mil quilômetros rodados por um automóvel elétrico.

“É um mercado que também vai potencializar a utilização de energia solar, o que garantirá 100% de sustentabilidade, e as baterias desses carros elétricos poderão ser reaproveitadas. É um futuro sem volta, e Caxias do Sul mostra-se na dianteira desse movimento”, destaca Paulo Magnani, diretor geral da Magnani Luz e Energia, empresa com mais de 50 anos de história.

A saber: o aplicativo PlugShare apresenta um mapa sinalizando as estações de carregamento próximas à região por onde está circulando o motorista do carro elétrico.


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